O aplicativo do 'envelhecimento', os medos e o futuro que realmente importa



Esses dias as redes sociais ficaram cheias de ‘velhinhos’. Um aplicativo deu a oportunidade de as pessoas vislumbrarem como ‘serão’ na velhice. Penso que nenhuma outra modinha causou tanto ‘alvoroço’ nas redes como esse.

Um amigo até me mandou uma versão minha, mais envelhecido. Eu ri e dei pouca importância. O futuro que me importa não é transitório, não é baseado em anseios, dúvidas, incertezas e medos ‘desta era’. O tempo pelo qual meu coração se enche de alegria é o do ‘dia da incorruptibilidade’, o ‘da morte sendo tragada pela vitória do Cordeiro’.  O futuro que me deleita a alma é certo; está consumado na eternidade de Deus. O anseio da minha alma é o Grande Dia do Cordeiro! (Leia 1Coríntios 15).

Dizer isto, crer nisto, não me impede de pensar no tempo presente e nos anos vindouros, ao contrário, crer em Cristo e ter n’Ele a convicção de eternidade me faz olhar para o amanhã, para o daqui há pouco, para os anos à frente numa perspectiva suave e confiante, apesar das dores e incertezas desta vida. Crer na eternidade com Cristo me faz saber que mesmo que venham dores, tristezas, lutas, medos, eu estarei bem.

Sei que um dia o vigor já não será, sei que as forças se esvairão, que os braços já não terão poder, as pernas não se susterão, os olhos não mais verão com precisão. Sei que não mais ouvirei com clareza, que o pensar pode não ser tão sóbrio, enfim, sei que por aqui as coisas podem não ser tão deleitosas. Mas tenho paz por acima de tudo, saber que no final tudo irá bem.  (Leia Eclesiastes 12). Na verdade, tenho paz pela firme convicção de que o final é o começo!

Mas prefiro pensar que a cada dia basta o seu mal e que posso ter prazer nos ‘bens’ que o Senhor me tem concedido. Por isso quero poder olhar meus meninos, minha menina e minha namorada/esposa com um olhar grato pela ação graciosa do Senhor que me concede o prazer de n’Ele descansar, esperar e confiar.

Prefiro viver o compromisso de acordar grato a cada dia e viver com o coração repleto de felicidade pelo amor indizível do Deus que me solapou da morte para o Reino de seu amor infinito.

Pensar assim faz com que o envelhecer não me cause medos, que as incertezas não me atemorizem a alma. Pensar deste modo, faz o coração deleitar-se no Senhor em cujas mãos entreguei humilde e confiadamente minha existência, depois de ter a mente aberta pelo Espírito que é Deus. Faço minhas primeiras perguntas: Quem sustenta sua vida? Quem é seu direcionador? Onde estão seu coração e confiança?(Leia Salmo 37).

Quero envelhecer vivenciando o amor do Senhor. Amor que a mim se revelou na juventude e do qual não me esqueço; e ainda que nalguns momentos tente, jamais conseguirei me ausentar de seus braços. Graças a Ele, somente a Ele, não me perco. Quero envelhecer lembrando que só O amo porque Ele me amou primeiro!

Quero envelhecer sendo amor! Que eu não queira esperar que os outros me amem como resposta ao meu amor! Amar é uma decisão que mantém meu espírito jovem, forte e cheio de vida! Por isso, que eu seja amor, ainda que os outros sejam desprezo e ódio! Que eu seja amor, mas amor nos moldes do Amor que se deu na cruz! Amor que não se perde em meio ao triste desamor desta vida pecaminosa.

Desejo imensamente viver a cada dia o amor dos meus amores de Casa, das ovelhas que o Senhor puser aos meus cuidados, dos amigos que no tempo o Senhor do tempo me fizer amar.

Que minha velhice, com a cara enrugada pelas dores da vida, marcada pelo aprendizado da lida, carregue consigo a sabedoria resultante de uma relação de intimidade com o Criador, do qual não quero esquecer e do aprendizado das lições do que vivi, sofri e observei. Que ela traga consigo a paz da comunhão, a gratidão pelas bênçãos e a convicta esperança de que mais perto estarei do Grande Dia!

Que no final dos meus dias eu olhe pra trás e continue enxergando a boa mão que me tem guiado, apesar de mim. E ao olhar para o futuro eu possa caminhar, ainda que lentamente rumo à cidade cujo Arquiteto e Fundador é Deus (Leia Hebreus 11).

Que eu possa olhar e em paz lembrar que jamais preguei para agradar  a outra pessoa que não, o Senhor Deus de toda minha vida! Que eu me alegre agora e no futuro pelo imenso privilégio de ser Boca de Deus.

E se eu não envelhecer? Bem, terei ido para Casa e estarei sorrindo cheio de gratidão.

Por fim, minhas últimas perguntas: E você, o que espera da sua velhice? Como está seu presente? Como olha para o futuro?

Que Deus lhe conceda a alegria de amá-lO agora e não temer o futuro!



Pr. Ricardo Jorge Pereira


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